Privação de sono e maternidade
Não dá para negar que ser mãe é a principal jornada que as mulheres vão vivenciar no tempo da sua existência. Privação de sono e maternidade, portanto, estão quase naturalmente vinculadas; mães vão passar pela experiência de ter o repouso noturno prejudicado em algum momento da vida, seja quando seus filhos são recém-nascidos, crianças, adolescentes e até adultos.
Para ser mais exato, mulheres vão conviver com dificuldades de dormir antes mesmo de pegar seu bebê no colo pela primeira vez. O sono na gravidez sofre muitas alterações, especialmente no primeiro e terceiro trimestre da gestação.
Entretanto, já é de amplo conhecimento - e quem acompanha o blog da Simmons sabe em detalhes - que sono de boa qualidade é necessário para o bem estar e saúde de qualquer indivíduo, sendo ainda mais importante quando ele é um dos principais cuidadores de outros “indivíduozinhos”… Brincadeiras à parte, diante do quão exaustiva é a rotina do cuidado, pais e mães devem buscar tirar o máximo de proveito possível das suas noites de descanso.
Neste texto vamos abordar quando a privação de sono é mais comum na maternidade, quais fatores influenciam nessa condição e o que pode ser feito para reduzir os efeitos da privação de sono, para que mães sintam-se melhores e possam tirar ainda mais proveito do tempo de convivência com os filhos!
Uma jornada de vida toda
Mulheres não nascem mães, mas a partir do momento que se tornam, podemos afirmar com tranquilidade: nunca mais deixarão de sê-las. O corpo da mulher pode até voltar ao funcionamento de antes da maternidade, mas a mente não.
Os efeitos da vida de mãe sobre o sono já se manifestarão nos primeiros dias do recém-nascido, e de forma bem intensa. Ao longo de toda maternidade, em geral é no puerpério que ocorrerão os maiores períodos de privação de sono.
Para além da fragmentação do descanso noturno provocada pela necessidade de amamentação exclusiva - até adquirir peso satisfatório, recém-nascidos não podem ficar mais que três horas sem receber leite materno -, há efeitos hormonais que alteram a sensação de sono das mães no puerpério.
Depois do parto, a progesterona vai retomando seus níveis normais de secreção. Esse hormônio induz a produção dos neurotransmissores GABA, as mesmas substâncias que sofrem influência dos barbitúricos, uma das categorias dos remédios que provocam sono. Com a rápida redução da produção de progesterona e da indução de GABA, a sensação de sonolência naturalmente já tende a diminuir.
Outra alteração que costuma ser provocada ao longo da gestação e que aparece no puerpério é a manifestação de alguns distúrbios do sono e, dentre os mais recorrentes, está a apneia do sono. Ela ocorre devido ao aumento da circunferência do pescoço e flacidez dos músculos da região, normalmente provocada pelo ganho natural de peso pelo qual a gestante passa.
Contudo, a privação de sono não se manifesta apenas nos primeiros meses da maternidade. O sono na infância, especialmente no início da fase escolar, é marcado pela dificuldade em começar. Nessa idade, crianças apresentam maior resistência a ir dormir e os despertares noturnos ficam mais frequentes. Esse comportamento, que é mais recorrente em crianças com autismo ou portadoras de TDAH, tem se intensificado devido ao uso de tela por crianças, especialmente em período noturno.

Quando a criança desperta, é normal ela buscar os cuidadores. Pais e mães, portanto, serão acordados, tendo seu sono interrompido nessas ocasiões.
Privação de sono e maternidade: o que pode ser feito?
Um bebê é mais um membro da família e, como todos os outros, deve ter suas individualidades respeitadas enquanto é integrado na rotina familiar da forma mais natural e acolhedora possível. Portanto papais e mamães, não tem muito jeito: pelo menos pelos primeiros seis meses de vida do recém-nascido, os momentos de privação do sono acontecerão. Contudo, com planejamento, eles podem ser mais rápidos e gerarem menos impacto no bem estar e saúde dos cuidadores.
Nessa fase, a atenção à higiene do sono deve ser redobrada. Nesses primeiros seis meses de vida do bebê é muito importante, aos poucos, regulá-lo no ciclo circadiano. Em outras palavras, tentar iniciar uma das sonecas do bebê no início da noite, entre 18h30 e 19h. Se elas demorarem cerca de 3h e o tempo entre amamentação, arrotar, trocar fraldas e voltar a dormir consumir cerca de 1h, ele vai acordar de uma delas por volta das 6h, já percebendo a luz do dia.
Outra ação muito importante para reduzir a privação de sono na maternidade envolve os pais: eles devem dividir as tarefas e o cuidado nos despertares noturnos. O momento de arrotar, de trocar as fraldas e de colocar novamente o bebê para dormir podem ficar a cargo dos pais, para que as mães voltem para o sono o mais rapidamente possível.
Já na infância, para reduzir ou até eliminar os despertares noturnos, a prática da higiene do sono deve ser estendida às crianças: do horário do jantar ao desligamento total das telas horas antes de dormir, tudo deve ser programado para que a criança reconheça a noite como o período de dormir.
Por fim, e não menos importante: colchões, travesseiros e roupas de cama de qualidade aumentarão sua percepção de conforto e facilitarão o adormecer, a primeira das fases do sono. Não deixe de investir em acessórios que irão aumentar sua sensação de repouso.

A maternidade é uma verdadeira odisséia e talvez os primeiros meses sejam os mais desafiadores. Mas qualquer obstáculo é pequeno perto da recompensa de sentir o amor por um filho. Depois do puerpério as longas e ininterruptas noites de sono voltarão - e serão embaladas pela tranquilidade e segurança do bem estar e saúde do seu filho!