Noite de Natal: entre a brincadeira e o descanso recheado de sonhos
Faltam poucos dias para uma das noites mais esperadas do ano, principalmente pelas crianças. Quando anoitecer no dia 24 de dezembro, pequenas e pequenos do mundo inteiro estarão ansiosos pela chegada de um saco vermelho cheio de presentes. Para as crianças, a Noite de Natal traz a expectativa de brincadeiras com brinquedos novos antes de começar a parte do sono.
No Brasil, a época é favorável a esse sentimento da criançada: férias escolares, calor do verão e o Natal, com sua noite cheia de significados e expectativas por novas brincadeiras. É a “tempestade perfeita” para se esbaldar e, naturalmente, sair da rotina. O desafio recai aos pais: como equilibrar tantos atrativos para a diversão de um lado com a manutenção do bem estar e saúde das crianças, com alimentação e sono de qualidade, do outro?
A noite de Natal é especial e portanto merece ser celebrada com as devidas tradições, seja em família, amigos ou até sozinho. Se o seu Natal for com outras pessoas e entre eles houver crianças, que tal abrir espaço para a vivência infantil mas sem descuidar muito dos cuidados com o sono na infância? Então fique com a gente neste texto: vamos te contar como é possível organizar uma data cheia de alegria mantendo a atenção ao horário de dormir!
A importância das tradições
Celebrado no mundo inteiro por pessoas religiosas ou não, o Natal é eminentemente uma data cristã, marca a vinda do Cristo. Apesar da festança de dezembro e a tradição da troca de presentes de Natal ser muito anterior ao nascimento de Jesus, para os praticantes de religiões cristãs o sentimento de boas-novas é muito forte.
Ele é reforçado pela presença, vitalidade e principalmente pureza das crianças, um sentimento que não está apenas no Ocidente. Em algumas culturas asiáticas, a criança é um ser puro assim como os deuses e, portanto, como eles devem ser tratados. Nas tradições ancestrais de Bali, bebês não tocam o chão com menos de 105 dias. De acordo com a crença, na terra vive a profanidade humana. Recém-nascidos, enquanto seres puros, precisam completar pelo menos 105 dias para entrar em contato com a terra.
No Japão, crianças também possuem um caráter divino. Lá, uma expressão comum é nanatsu made kami no ko, que significa “até os sete, é filho de Deus”. Essa atribuição de divindade explica-se pelo fato de que, até os sete anos, crianças não são membros plenos da comunidade, são hóspedes divinos sob a tutela dos pais. Consequentemente, elas não podem ser julgadas por padrões morais de humanos adultos.
Em outras palavras, não só na cultura judaico-cristã mas em várias outras, o nascimento ou a presença de crianças traz ares de renovação e, consequentemente, esperança.
Noite de Natal: o equilíbrio entre brincadeira e descanso
Contudo, para certas pessoas - inclusive as menos maduras como crianças - a sensação de esperança, do que está por vir, pode facilmente se transformar em espera, expectativa, excitação e até ansiedade. A partir de cinco anos, expectativa e ansiedade passam a ser sentimentos mais familiares para crianças. É a idade de início da fase escolar, período no qual as crianças são “apresentadas ao conceito” de performance futura - o de ser aprovado no final do ano, por exemplo. Nessa idade, eles consolidam a sensação de temporalidade, entendendo com mais clareza o futuro, o que está por vir.
Quando não estamos atentos, espera e expectativa se transformam facilmente em ansiedade até em adultos. Tanto que essa época do ano demanda cuidados e atenção redobrados: com tantos encontros fartos em comida e bebida até tarde da noite, quem não fica consciente pode cometer excessos e acabar prejudicando alimentação e sono.
Como então aproveitar a noite natalina sem reprimir a vitalidade das crianças ao mesmo tempo que distribuímos presentes de Natal, administramos expectativas infantis e mantemos a atenção na alimentação e sono?
Que tal irmos de brincadeiras, desde que feitas com uma boa gestão do tempo?
No Brasil as brincadeiras de Natal não são tão comuns, mas em certas regiões de outros países, como Estados Unidos e Espanha, elas são tradição. Se planejadas e informadas com antecedência, podem ser ótimas estratégias para “programar” a noite de Natal e estabelecer acordos sobre o momento das crianças irem deitar.
No Meio-Oeste norte-americano, por exemplo, até os dias de hoje é praticada uma brincadeira tradicional, o pepino de Natal. Um ornamento em formato de pepino é escondido na árvore; a primeira criança a encontrá-lo tem o direito de ser a primeira pessoa a abrir os presentes de Natal.

Se os horários no qual o adulto vai esconder o pepino e o início da busca forem combinados com antecedência com as crianças, o fim da abertura de presentes de Natal pode marcar o início da noite de sono.
Na Catalunha, região nordeste da Espanha, há uma brincadeira infantil diurna. Semanas antes da noite de Natal, os pais coletam um tronco oco de madeira, o limpam e deixam no bairro para que ele seja enchido de doces. Esse tronco ganha rosto, roupa e o nome de Tió. Na tarde de Natal as crianças, com pedaços de pau, vão batendo no tronco até ele se quebrar e liberar os doces.

Como dissemos no início do texto, o Natal é cheio de significados; para as crianças, ele é ainda mais lúdico e mágico. Aproveite essa ludicidade e, na sua noite de Natal, abra espaço para brincadeiras. Elas podem ser a chave para que as pequenas e pequenos tirem o melhor proveito do sono e, na imaginação, abram espaço para os sonhos do ano novo.