Melatonina sintética

Melatonina sintética

Distúrbios do sono estão entre as principais causas da queda nos níveis do nosso bem estar, saúde e, consequentemente, na qualidade de vida. Apesar de vários comportamentos que podemos assumir para evitá-los, como fazer a devida higiene do sono, há casos que exigem tratamento medicamentoso. Dentre as substâncias disponíveis, uma das mais usadas é a melatonina sintética.

Tecnicamente falando, a melatonina é o hormônio do sono, conhecida quimicamente como N-acetil-5-metoxitriptamina. Ele é naturalmente produzido pela glândula pineal, que fica localizada no epitálamo, entre os dois hemisférios do nosso cérebro.

Quimicamente falando, a melatonina sintética é idêntica à natural. Contudo, ainda assim, ela não pode ser indiscriminadamente consumida. É só imaginar que, se nosso corpo está produzindo hormônio em excesso, não quer dizer que estamos num quadro saudável. Para ficar em um exemplo, boa parte dos casos de diabetes tipo 2 são provocados por excesso de produção de insulina, um hormônio, pelo próprio corpo.

Bem estar e saúde são mais facilmente alcançados quando estamos com concentrações equilibradas e adequadas de hormônio no organismo. Há contextos ou condições que prejudicam a correta produção do hormônio do sono, sendo necessário recorrer à melatonina sintética. Vamos entender quais efeitos ela provoca e em que situações ela pode ser administrada, desde que seja seguindo orientação médica.

Melatonina sintética: quais efeitos ela provoca?

Assim como o hormônio do sono natural, a melatonina sintética atua na redução da temperatura corporal, na tonificação muscular e nos ritmos da respiração e da frequência cardíaca - características que se alteram ao longo das fases do sono.

Conforme aumenta a concentração de melatonina no sangue, nosso organismo vai entrando em inatividade parcial de funções corporais e, consequentemente, mudando o comportamento: a frequência respiratória, cardíaca, a temperatura corporal e a tonificação muscular começam a diminuir, gerando uma sensação de letargia ao mesmo tempo que a capacidade de vigília é diminuída. Essa sonolência, provocada pela melatonina, “força” a regulação do nosso relógio biológico - o ciclo circadiano.

Em resumo, a melatonina sintética induz o sono. Entretanto, se consumida de forma indiscriminada - especialmente em excesso -, ela pode gerar dores de cabeça, tonturas, náuseas, sonhos vívidos ou pesadelos e até sono excessivo diurno. Em outras palavras, na tentativa de tratar certos distúrbios do sono, podem ser provocados outros.

Usos mais comuns

No Brasil, a comercialização da melatonina sintética é determinada pela instrução normativa 102 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. Isso porque a substância é reconhecida no Brasil enquanto um suplemento alimentar, desde que a sua concentração seja de até 0,21 mg por dia. Para doses com concentração maior, a melatonina já é considerada como um medicamento: só pode ser encontrada em farmácias de manipulação e só pode ser adquirida com receita médica.

No Brasil, é proibida a comercialização e consumo de melatonina sintética, em qualquer dosagem, para menores de 19 anos, grávidas e lactantes, ou seja, mulheres que estão em fase de amamentação.  Casos específicos, como lactantes que já sofrem de episódios severos de certos distúrbios do sono, como insônia, precisam de acompanhamento médico. Só com autorização especial poderá ser administrado a melatonina ou qualquer outro medicamento.

Fora os casos de exceção, pessoas que sofrem de distúrbios do sono como sono excessivo diurno, episódios frequentes de paralisia do sono, insônia ou apneia do sono, podem se beneficiar da melatonina sintética.

Nunca é demais lembrar que qualquer medicamento deve ser administrado apenas por recomendação médica. Diferente de certos remédios que provocam sono como efeitos colaterais, a melatonina sintética é um medicamento cuja principal função é induzir a sonolência, gerando dois efeitos secundários extremamente benéficos para o bem estar e saúde:

  1. Regulação do ciclo circadiano
  2. Aumento da duração e da qualidade das noites de sono

Melatonina sintética

Por fim e não menos importante: assim como outros medicamentos, a melatonina sintética não deve ser considerada como o primeiro recurso para aumentar a duração e a qualidade das suas noites. Se você acompanha os conteúdos sobre bem estar e saúde daqui do blog, sabe de vários hábitos e comportamentos que podem ser desenvolvidos para melhorar seu descanso noturno: das relações entre atividade física e sono, passando por cuidados com alimentação e, principalmente, a devida higiene do sono; muito pode ser feito para melhorar seus momentos de relaxamento antes de recorrer a medicamentos.

Aprimorar seu ambiente de descanso com técnicas do design e arquitetura do sono ou até itens de qualidade como camas box, colchões, travesseiros e roupas de cama podem favorecer seu sono. Tente essas estratégias e consulte um médico antes de recorrer a medicamentos. Tudo que é natural, inclusive o hormônio do sono, é mais recomendado para seu bem estar e saúde!