Doença do sono

Doença do sono

O sono de qualidade é fundamental para o nosso bem estar e saúde. Contudo, sono excessivo pode ser um sintoma de distúrbios do sono ou de alguma patologia. Uma delas é a doença do sono, uma patologia muito rara no Brasil mas que demanda atenção quando algum caso se manifesta.

A Organização Mundial de Saúde classifica a doença do sono como uma das doenças tropicais negligenciadas, junto da dengue e da chikungunya. Um grupo de 23 patologias que são prevalentes comunidades carentes de países tropicais. Estima-se que quase um bilhão e meio de pessoas no mundo precisem de algum tipo de intervenção contra doenças tropicais negligenciadas, seja de caráter preventivo ou curativo.

Elas são classificadas como negligenciadas porque, apesar de sua grande prevalência, a letalidade é baixa. Consequentemente, há baixo interesse no desenvolvimento de medicamentos ou imunizantes - o que explica a demora no desenvolvimento da vacina contra a dengue, uma doença endêmica no Brasil há décadas.

Portanto, assim como outras patologias tropicais negligenciadas, a doença do sono tem uma letalidade muito baixa, acontecendo raramente entre os casos graves. Vamos conhecer essa patologia com mais detalhes.

Causa,transmissão e sintomas

Com o nome científico de tripanossomíase humana africana, a doença do sono é causada por um protozoário, o Trypanosoma brucei. Este é transmitido aos seres humanos principalmente por meio da picada da mosca tsé-tsé. Ela pica animais contaminados e, ao picar humanos, transmite o protozoário. A maior parte dos casos acontece em áreas rurais, uma vez que o principal repositório do agente etiológico é o gado. 

A mosca tsé-tsé existe apenas na África, por isso a doença só é endêmica lá. Todos os casos que se manifestam fora do continente africano são importados, ou seja, trazidos por alguém que esteve na África e foi contaminado. Apesar do número de casos ter reduzido drasticamente no século XX, a doença do sono ainda é endêmica em 24 países da África Ocidental e Central e 13 países da porção oeste e sul do continente.

O primeiro sinal claro da doença é a aparição, em até três dias, de um caroço doloroso no local da picada. Nas duas primeiras semanas que se seguem à infecção, podem manifestar-se febre, calafrios, dores de cabeça e nas articulações. Na fase inicial, a patologia é de fácil tratamento.

Contudo, a doença do sono pode evoluir para casos graves. Isso acontece quando o protozoário consegue atravessar a barreira hematoencefálica, atingindo o sistema nervoso central. São nesses casos que o sono excessivo ao longo do dia aparece como um sintoma. Em estudos realizados em pacientes africanos nos quais foram realizados exames do sono, como a polissonografia, foram registrados distúrbios no ciclo despertar-adormecer, com momentos muito curtos de sono REM, a última das fases do sono.

Apesar de evoluir a ponto de agravar a condição do paciente, apenas casos não tratados são fatais. Mesmo quando o protozoário rompeu a barreira hematoencefálica, a patologia tem tratamento e o paciente volta a ter uma vida normal.

Doença do sono: diagnóstico, tratamento e prevenção

Como os sintomas são comuns a várias outras patologias, a doença do sono é de difícil diagnóstico. A análise inicial parte do quadro epidemiológico da região, seguida de análise clínica, com avaliação do histórico do paciente. Quando o médico identifica o caroço característico da picada da mosca tsé-tsé, associado aos outros sintomas, normalmente o tratamento já é iniciado.

O tratamento para os estágios iniciais da doença é feito com um medicamento cujo princípio ativo é o fexinidazol. Ele é administrado oralmente e provoca poucos efeitos colaterais. O tratamento dura cerca de 10 dias. Se o paciente melhora, ele é acompanhado por dois anos, para verificar que a doença realmente não corre o risco de se manifestar de novo.

Doença do sono

Quando a doença do sono chegar ao patamar mais grave, com o protozoário infectando o sistema nervoso central, os medicamentos são mais fortes e apresentam efeitos colaterais mais fortes. A Organização Mundial da Saúde recentemente estabeleceu novas diretrizes para o tratamento da patologia, com administração de outros medicamentos quando a primeira linha de fármacos não estiver disponível. Para estágios mais graves, o tratamento dura de 10 a 20 dias. 

Como ainda não há vacina para a doença do sono, a melhor forma de combatê-la é prevenindo. Caso você tenha que visitar alguma região africana na qual exista uma grande incidência da doença, pesquise sobre repelentes de insetos que funcionam contra a mosca tsé-tsé. Além disso, utilize roupas que cubram o máximo do corpo: calças, camisas de manga comprida e sapatos fechados.

Pesquise se há controle da população do vetor na localidade que você visitará. Antes de chegar, busque também identificar um médico que possa te atender, caso você manifeste os sintomas.

Apesar de ser uma patologia tropical, a doença do sono praticamente inexiste no Brasil. Portanto, se você apresentar sono excessivo ao longo do dia, procure um médico. Ele irá analisar quais, dentre os distúrbios do sono, podem estar te acometendo.